Restaurante reaproveita lixo orgânico

postado por aleile @ 12:56 PM
8 de outubro de 2013

Reúso_Foto Solange Rossini/ Divulgação

Imagine um restaurante onde todo o lixo orgânico produzido e descartado pelos clientes é processado e transformado em biomassa e usado como adubo. Isso acontece no Restaurante Casa de Tereza, da chef Tereza Paim, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. O estabelecimento comercial possui uma máquina pioneira no país, chamada biodigestor, capaz de transformar o resíduo orgânico em adubo 100% natural.

O interessante é que, após a refeição, cada cliente pode levar para casa o saquinho com o seu próprio adubo orgânico. “Estamos partindo para a valorização das nossas raízes em todos os segmentos e dos nossos recursos e meio ambiente. É ter orgulho de ser brasileiro e cuidar do nosso país. E isso inclui a Gastronomia, respeitando ingredientes e técnicas nossas, os saberes e sabores do Brasil”, defende Tereza Paim.

A chef explica que a máquina processadora de resíduos orgânicos reduz o lixo orgânico em até 90% e não utiliza água, nem enzimas e químicos, produzindo um adubo totalmente natural e rico em elementos nutrientes para o solo. “Essa solução é uma poderosa ajuda para a redução do volume de lixo orgânico descartado nos aterros sanitários e a emissão de carbono nos lixões”, ressalta. O processo compacta o volume dos detritos descartados para 10% do volume inicial, elimina bactérias por aquecimento e possui dispositivo para controlar os odores associados ao processo de decomposição dos resíduos.

Sustentabilidade – A visão voltada para a sustentabilidade do restaurante não para por aí. Desde a reforma do casarão – em que foram reaproveitados o piso, as paredes, os forros e os banheiros – ao mobiliário do espaço (que é de reúso), tudo na Casa de Teresa é pensado sob o olhar de preservação da natureza e do combate ao desperdício. “O óleo é transformado em sabão para uso interno; os acessórios são lavados em máquina, o que permite uma economia anual de, aproximadamente, 120 mil litros de água boa para o planeta e todos os equipamentos de refrigeração utilizam gás verde”, enumera Teresa Paim.

Além disso, relata, os peixes que chegam ao restaurante são os que os pescadores locais conseguem pescar, reduzindo a emissão de carbono por deslocamento, e os mariscos vêm da Ilha de Itaparica, rastreados por uma pesca sustentável. “Também damos preferência à compra de insumos frescos, a uma distância máxima de 40 km. Os legumes são, preferencialmente, orgânicos e os ovos são de quintal. O dendê é todo extraído artesanalmente. A água é servida na moringa para reduzir o descarte de plástico. A coifa da cozinha é biodegradável, trata a fumaça antes de jogá-la na atmosfera”, completa.

O que é “pós-consumo sustentável”?

postado por aleile @ 7:20 PM
2 de agosto de 2013

sustentabilidade

 

O termo “pós-consumo sustentável”, cada vez mais utilizado, significa recolher e dar um destino adequado aos produtos, responsabilizando-se pelo retorno do material após o seu consumo. Essa é uma responsabilidade que deve ser assumida amplamente pela sociedade, tanto pelos governos e empresas fabricantes e vendedoras quanto pelos agentes de coleta seletiva e consumidores finais, tendo em vista a proteção ao meio ambiente e a garantia dos recursos naturais.

O Brasil possui uma legislação que obriga os fabricantes a darem um destino adequado a certos produtos, promovendo a responsabilidade de retorno do material pós-consumo. A Lei Federal nº 12.305, sancionada em 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o manejo adequado dos resíduos.

Mas essa responsabilidade, de qualquer maneira, impõe-se a todos. Consumir de forma sustentável implica poupar os recursos naturais, conter o desperdício, diminuir a geração de lixo, reutilizar e reciclar a maior quantidade possível de resíduos. Só assim conseguiremos prolongar o tempo de vida dos recursos naturais do planeta.

O ciclo de vida dos produtos não termina após serem usados e descartados pelos consumidores. A reciclagem é uma das alternativas de tratamento de resíduos sólidos mais vantajosas, tanto do ponto de vista ambiental como do social, pois reduz o consumo de recursos naturais, poupa energia e água, e diminui o volume de lixo e a poluição. Também pode ser uma atividade econômica rentável quando há um sistema bem estruturado de coleta seletiva.

Reciclar envolve a transformação dos materiais. Por exemplo, fabricar um produto a partir de um material usado. Podemos produzir papel reciclando papéis usados. Papelão, latas, vidros e plásticos também podem ser reciclados. Para facilitar o trabalho de encaminhar material pós-consumo para a reciclagem, é importante fazer a separação no lugar de origem – a casa, o escritório, a fábrica, o hospital, a escola etc. A separação também é necessária para o descarte adequado de resíduos perigosos.

Um dos pontos fundamentais da nova legislação é o estabelecimento de sistemas de logística reversa, que se constituem em um conjunto de ações para facilitar o retorno dos resíduos para os seus geradores e o seu reaproveitamento em novos produtos. Atualmente, a logística reversa funciona com pilhas, pneus e embalagens de agrotóxicos, mas é pouco praticada por outros setores, como o de eletroeletrônicos, que geram resíduos de significativo impacto ambiental depois de consumidos.

A PNRS ainda está em fase de implementação. Os Estados e municípios têm até 2014 para definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final dos resíduos. Do lado das empresas, a expectativa é que os planos de logística reversa sejam apresentados também até o início do ano que vem. Os fabricantes e importadores de produtos devem apresentar propostas de implantação de responsabilidade pós-consumo para fins de recolhimento, tratamento e destinação final de resíduos, indicando ações e metas concretas para a sua viabilização.

Alguns fabricantes que já assinaram o Termo de Compromisso com o pós-consumo foram:

– Pilhas e baterias portáteis
- Embalagens de produtos de higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, de limpeza e afins
- Embalagens de agrotóxicos
- Embalagens plásticas pesadas de lubrificantes
- Pneus inservíveis
- Óleos lubrificantes
- Óleo comestível
- Baterias automotivas chumbo-ácido
- Filtros usados de óleo lubrificante automotivo

Descarte correto de resíduos gera descontos em conta de energia

postado por aleile @ 7:19 PM
2 de agosto de 2013

Logisverde Capítulo 5 - Fornecedores - Logisverde (2)

Descartar os resíduos de maneira ambientalmente responsável e trocá-los por crédito na conta de energia. Essa é a proposta do projeto Vale Luz, iniciativa da Coelba, empresa do Grupo Neoenergia. Funcionando em duas vertentes – Comunidade e Empresa – o projeto, hoje, atende mensalmente a 24 comunidades populares de Salvador, e sete empresas parceiras, fazendo a troca de resíduos sólidos recicláveis por descontos diretamente na conta de energia dos consumidores.

Mensalmente, os dois caminhões itinerantes do projeto percorrem os bairros de Massaranduba, Sussuarana, Novos Alagados, Bate Facho, Pernambués, Valéria, Jardim das Margaridas, Nova Brasília, Costa Azul, Tancredo Neves, Cosme de Farias, São Cristóvão, São Caetano, Castelo Branco, Calabar, Bairro da Paz, Fazenda Coutos III, Pau da Lima, Cajazeiras X, Águas Claras, Alto do Peru, Joanes, Uruguai e Nordeste de Amaralina, recolhendo os resíduos e concedendo os bônus na conta.

Os caminhões do projeto comunidade seguem uma programação semanal e ficam estacionados nos bairros das 9h às 15h30. Os moradores entregam o material, que é pesado e, na mesma hora, o valor correspondente ao material é descontado da conta de energia do mês seguinte. Só na vertente Comunidade, já foram recolhidas mais de 290 toneladas de resíduos e creditados R$ 72 mil na conta de energia de mais de 1500 consumidores.

São aceitos para a reciclagem: metal, papel, papelão e plásticos. Alguns cuidados devem ser tomados no momento da coleta. Papéis e plásticos, por exemplo, não podem estar sujos ou molhados. No caso das latas de alumínio, devem estar sem areia, pedra ou materiais que comprometam a pesagem. O material recolhido é encaminhado à Cooperbrava, cooperativa de coleta seletiva formada por catadores de Canabrava.

“Além de reduzir o valor da conta de luz, o Vale Luz tem o objetivo de estimular o uso racional dos recursos naturais e minimizar os impactos negativos causados pelo lixo no meio ambiente, estimulando a reciclagem”, explica Ana Christina Mascarenhas, assessora de Eficiência Energética do Grupo Neoenergia.

No Vale Luz Empresa, os créditos decorrentes dos resíduos coletados nas empresas parceiras beneficiam instituições que realizam trabalhos sociais. A empresa AVSI Nordeste, por exemplo, beneficia o Instituto de Caridade Lar Maria Luíza com os resíduos coletados. Para participar, empresas sediadas em Salvador, de qualquer ramo de atuação, devem inscrever-se na concessionária através do telefone (71) 3370-5006 e escolher a instituição que receberá o crédito na conta de energia, proporcional ao peso dos materiais recicláveis doados. Essa instituição deve ser atendida pela Coelba e prestar serviço social.

Desde que o Vale Luz Empresa foi lançado, em abril de 2012, até o último mês de junho, já foram recolhidas 70 toneladas de resíduos recicláveis e creditados R$ 10,7 mil nas contas de energia das instituições indicadas pelas empresas participantes. São aceitos para a reciclagem: metal, papel, papelão, plásticos e PET.

Esse material é pesado e o valor, em reais, será convertido em crédito para a conta de energia da instituição social escolhida. Importante ressaltar que só poderão participar do projeto empresas que ainda não possuam vínculo com qualquer outra cooperativa de catadores do Complexo de Cooperativas de Reciclagem da Bahia. Para estimular a participação, a Coelba fornece às empresas as caixas de coleta de materiais e cartazes para incentivar os funcionários a aderirem ao projeto, além de proporcionar treinamento para os envolvidos diretamente com o Vale Luz.

Logística reversa - Com o projeto Logisverde, a Coelba se dedica à logística reversa, promovendo o fluxo de retorno de produtos, embalagens e materiais ao seu centro produtivo. O projeto faz a logística reversa das bobinas de madeira utilizadas para o acondicionamento e o transporte de cabos. Além de contribuir para a preservação ambiental, por reduzir o uso de recursos naturais e a geração de resíduos de madeira, incentiva o reaproveitamento do material.

Antes da criação do Logisverde, todas as bobinas de madeira que acondicionam os cabos eram descartadas pelas empresas parceiras que trabalham na construção ou manutenção da rede elétrica. As peças acabavam sendo utilizadas de forma improvisada como mesas em pequenos restaurantes ou em residências, ou em grandes carretéis abandonados, sem nenhum cuidado, em áreas próximas a nascentes e leitos de rios, riachos e lagos – o que representa um grave risco para o meio ambiente, já que durante a sua fabricação, as peças são tratadas com produtos químicos para a conservação da madeira.

Com a iniciativa, parte das peças usadas passou a ser devolvida para os seus fornecedores iniciais, depois de passar pelos almoxarifados das concessionárias, onde as bobinas são desmontadas e embaladas. Dessa forma, é possível fazer com que as bobinas sejam reutilizadas pelos seus fabricantes. O projeto contribui também para minimizar o problema da geração de resíduos sólidos, ao evitar ocorrências de descarte inadequado das peças.

A sustentabilidade como fator de competitividade

postado por aleile @ 7:10 PM
2 de agosto de 2013

Asher Kiperstok_rejane Carneiro

Na última década, a adoção de melhores práticas em gestão ambiental, incluindo o reaproveitamento dos resíduos, vem se intensificando não apenas por imposição da legislação, mas porque as empresas passaram a enxergar a sustentabilidade como fator de competitividade. É o que acredita Asher Kiperstok, professor coordenador da Teclim – Rede de Tecnologias Limpas, da Universidade Federal da Bahia.

Na sua concepção, o ideal é que não se produza resíduos. É o que diferencia as tecnologias limpas das chamadas tecnologias de fim de tubo. “Resíduo significa desperdício de matéria-prima, gera passivo ambiental e custos de tratamento. O mais inteligente é investir em tecnologia para adequar o processo produtivo de forma a não gerar subprodutos”, explica. A perspectiva, no futuro, é que as indústrias operem desta maneira. Mas nem sempre a tecnologia disponível hoje é capaz de proporcionar o cenário ideal.

“Diante da impossibilidade tecnológica de não produzi-lo, deve-se dar ao resíduo a melhor destinação possível”, acredita Kiperstok. Este destino, inclusive, pode ser o próprio mercado. “O material que, para uma empresa, é considerado resíduo ou subproduto, porque não é o seu negócio principal, pode ter valor para outras cadeias produtivas”, explica.

É o caso da Paranapanema (ex-Caraíba Metais), que transformou a escória de cobre, um subproduto do processamento do metal, em produto com valor de mercado. O granulado, que durante 27 anos foi acumulado nas propriedades do grupo, hoje, é utilizado pelo segmento de jateamento de superfícies metálicas e consumido por empresas que prestam serviços como a limpeza de cascos de navio. O material entra ainda na composição de cimento, concreto e argamassa utilizados na Construção Civil.

Implantada desde 2001, após pesquisas feitas em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana – Uefs, o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica – Cepel e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a medida zerou os estoques de escória de cobre da Paranapanema. Em 2012, 386 mil toneladas do produto, que seriam resíduos sem utilidade, foram comercializadas, gerando receita e aumentando a competitividade do grupo.

“O caminho é pensar em alternativas que valorizem esses materiais, que gerem maior valor agregado e retorno econômico e social”, acredita Kiperstok, que não costuma chamá-los de resíduos, justamente pelo sentido depreciativo do termo. Se depender da vontade e da iniciativa das empresas do Complexo Industrial de Camaçari, essa tendência se tornará cada vez mais uma realidade concreta.

INAUGURAÇÃO PROJETO ÁGUA VIVA  CENTREL  BAHIA

Crescer de forma sustentável, com foco nas questões de saúde, segurança e meio ambiente, é uma diretriz estratégica para a Braskem, que, em 2012, resultou na redução em 11% a geração de efluentes, 6% em consumo de água, e em 2% o consumo de energia. Os índices estão abaixo da média da indústria química no Brasil. Líder em resinas termoplásticas nas Américas, a empresa tem ampliado o acesso a fontes competitivas de matérias-primas através da pesquisa contínua de novos produtos químicos de fontes tradicionais ou renováveis.

Os resultados consolidados dos últimos dez anos – desde a fundação da empresa, em 2002 – mostram uma diminuição substancial na geração de resíduos sólidos e de efluentes, que foi de 61% e 39%, respectivamente. Já o consumo de energia foi reduzido em 11%. O consumo médio anual de água pela Braskem foi de 4,59 m³ de água por tonelada de produto produzido, índice positivo diante da média da indústria química mundial que é de 25,9 m3 de água por tonelada de produto produzido.

A Braskem é a primeira companhia do setor a tornar pública a Pegada de Carbono de seus produtos, com a divulgação dos dados de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) das resinas polipropileno, polietileno – baixa densidade, baixa densidade linear e alta densidade, e PVC. A Pegada de Carbono permite a avaliação do total de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), ou seja, demonstra a quantidade de dióxido de carbono equivalente liberado na produção de um determinado produto ou na realização de uma atividade. Desta forma, torna-se uma informação importante para o consumidor final, no apoio à decisão por produtos e processos com menor impacto nas mudanças climáticas.
Para a Braskem, a divulgação da Pegada de Carbono é uma maneira de demonstrar o impacto ambiental de seus principais produtos, compará-los a outras alternativas e identificar oportunidades para a redução das emissões. Esta ferramenta irá fornecer informações importantes para os processos decisórios da companhia no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável de seu negócio ao identificar as etapas responsáveis pelas maiores emissões de GEE na cadeia.

De acordo com Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, a divulgação desses resultados está alinhada com transparência da companhia na gestão das emissões GEE. “Incentivamos a cultura de baixo carbono e queremos que a população tenha cada vez mais acesso a este tipo de informação, para que seja capaz de decidir pelo consumo de produtos que tenham menor impacto no meio ambiente”, reforça.

Plástico verde- Este ano, a Braskem anunciou a expansão de seu portfólio de produtos renováveis, com o lançamento da nova linha de Polietileno Verde de Baixa Densidade (PEBD), uma família adicional para o já conhecido Plástico Verde, resina termoplástica produzida a partir do etanol de cana-de-açúcar. A produção anual da nova resina será de, aproximadamente, 30 mil toneladas e o produto estará disponível para o mercado a partir de janeiro de 2014.

Com propriedades idênticas às do polietileno tradicional, o PEBD, por ser originário de matéria-prima de fontes renováveis, contribui para a redução da emissão dos gases do efeito estufa ao capturar gás carbônico da atmosfera durante o processo de crescimento da cana. A expansão da linha de produtos verdes reforça o compromisso da companhia com a criação de valor por meio do desenvolvimento sustentável para a cadeia produtiva do setor, seus clientes e a sociedade, que cada vez mais busca adotar práticas que visem contribuir para a redução dos gases efeito estufa.

Projeto Água Viva- Inaugurado em dezembro de 2012, o projeto Água Viva representa o maior sistema de reúso de água na indústria da Bahia, tendo como objetivo possibilitar a reutilização de água pluviais e efluentes tratados, através de uma parceria entre a Cetrel e a Braskem.

Com investimento superior a R$ 20 milhões em obras, equipamentos e tubulações, a meta na primeira fase é fornecer 500 m³ a 800 m³/h de água por hora para o Polo Industrial de Camaçari. Os recursos são provenientes do Programa de Inovação da CETREL com o apoio preponderante da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia. A iniciativa reduzirá a demanda da Braskem por recursos hídricos em, no mínimo, 4 bilhões de litros/ano, podendo alcançar em anos mais chuvosos o volume de 7 bilhões de litros/ano.

Com o novo sistema, o volume de água poupado pela Braskem em seus processos industriais será equivalente ao consumo médio diário de água potável de uma cidade com até 150 mil habitantes. Além da economia de água, o projeto possibilita economia de energia elétrica usada para bombeamento e para a produção de insumos básicos, fundamentais para o funcionamento das indústrias do Polo.

Utilizando o conceito de simbiose industrial, o projeto aproveita a experiência de 35 anos e a infraestrutura da Cetrel para repensar o modelo atual de tratamento e disposição oceânica e desenvolver novas perspectivas de gestão ambiental contemplando o reúso de água. Mediante técnicas e ferramentas desenvolvidas foi possível aproveitar sinergias entre os processos industriais, seus efluentes gerados e as características climáticas da região.

Através da rede de mais de 50 km de coleta de efluentes de todas as indústrias do Polo, são selecionados os efluentes de melhor qualidade para serem utilizados no processo. A rede de coleta divide-se em duas: uma para efluentes com alta carga orgânica, que seguem direto para a Estação de Tratamento de Efluentes da Cetrel e posterior descarte, e outra com baixa contaminação de orgânicos, os quais são destinados para o reúso.
Para o tratamento dos efluentes selecionados é empregado o sistema físico-químico com flotação por ar difuso; contudo, a inovação se dá pela segregação dos resíduos. O projeto Água Viva compõe-se, em média, de 40% do aproveitamento de águas pluviais e 60% do aproveitamento dos efluentes industriais.

Como se “fabrica” uma árvore? Com atitude, trabalho e parceria. É assim que o programa Fábrica de Florestas está começando a mudar a realidade ambiental do país. Iniciado em Salvador, na região do Polo Industrial de Camaçari (BA), e também em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), localizadas no Litoral Norte do Estado, o programa idealizado e desenvolvido pelo Instituto Fábrica de Florestas (IFF), atravessou a divisa da Bahia e está sendo replicado nas cidades de Paulínia e Santo André (São Paulo) e em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, graças à parceria firmada entre a Braskem e as prefeituras desses municípios.

“O Fábrica de Florestas é um conjunto de ações voltadas à restauração de áreas de Mata Atlântica”, explica Álvaro Oyama, diretor-executivo do IFF. Hoje, a Braskem, a Cetrel e o Cofic são os principais mantenedores desse programa que atualmente conta com diversas entidades públicas e privadas que atuam como parceiros com a aquisição de mudas para a recuperação de áreas degradadas com espécimes nativas da Mata Atlântica.

O interesse da Braskem pelo Fábrica de Florestas surgiu em 2009, quando a atuação do Incecc nas comunidades da região, em atividades socioambientais como os plantios comunitários no Anel Florestal do Polo de Camaçari, começou a chamar atenção por seus resultados. A parceria foi firmada em 2010. “Avaliando a convergência com o seu propósito de incentivar o desenvolvimento sustentável, a Braskem se associou à iniciativa”, explica Emmanuel Lacerda, gerente de Relações Institucionais da Braskem.

Desde o início do projeto, em 2008, mais de 400 mil mudas de sucupira, aroeira, camaçari, pau-pombo, entre outras espécies nativas, já foram plantadas. Em 2005, o parque Sauípe foi doado para o INCECC pela Construtora Norberto Odebrecht. São 66 hectares de Mata Atlântica, onde estão protegidas duas nascentes e cinco lagoas, além de uma fauna silvestre com mais de 280 espécies catalogadas de pássaros, répteis e pequenos mamíferos. O parque tem ainda bosques com sucupiras, palmeiras, cajueiros, mangabeiras e imbiribeiras. Em 2011, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) também se associou ao projeto, oferecendo, em regime de comodato, a área onde está instalado o viveiro principal.

Emmanuel Lacerda (Braskem) explica que o Fábrica de Florestas funciona como uma plataforma para ações  específicas de reflorestamento de outras empresas parceiras, uma vez que a Braskem garante a remuneração das equipes de produção, plantio de mudas e o custeio da infraestrutura. Além disso, a empresa envolve as comunidades locais no processo de preservação da biodiversidade.

A ideia de criar uma faixa de vegetação em volta do Polo (conhecida como Cinturão Verde) já fazia parte do projeto de sua implantação, no início da década de 1970. Foi uma experiência inédita no mundo, segundo o diretor-executivo do Incecc, Álvaro Oyama. “Mas foram plantadas poucas árvores nativas e muitas do gênero pinus e eucaliptos, que são espécies exóticas. Não havia a compreensão da necessidade de se preservar as espécies nativas”, explica.

O objetivo do Fábrica de Florestas é adensar os cerca de 2.800 hectares do anel florestal, a fim de restaurar a diversidade característica da Mata Atlântica. Será possível conectar a área com fragmentos remanescentes situados na APA Joanes-Ipitanga, formando assim o Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros. “Já produzimos 78 espécies e queremos chegar a mais de 100 este ano”, informa Álvaro Oyama, ressaltando que a prioridade é recuperar matas ciliares e nascentes como as dos rios Joanes e Ipitanga. A Bacia Joanes Ipitanga é responsável por 40% do abastecimento de água em Salvador.

Berçário florestal - A engenheira florestal e coordenadora do Fábrica de Florestas, Loyane Borges, cuida do viveiro das mudas e define o destino das novas árvores. Ela explica que sementes e plântulas (sementes com poucos dias de germinação e que medem cerca de 10 cm) são colhidas no campo e transportadas para o viveiro, onde são transformadas em mudas. Essa fase de “berçário” dura cerca de seis meses, a depender da espécie.

Em seguida, a muda passa por um período de aclimatação, no qual fica exposta ao sol e sofre uma diminuição gradativa da irrigação por, pelo menos, um mês. Só então ela é plantada no campo, onde continua sendo monitorada durante, aproximadamente, três anos ou até que possa se desenvolver sozinha. “Cuidamos delas como se fossem bebês, e a cada plantio nos sentimos orgulhosos do que criamos”, afirma Loyane.

Sustentabilidade e inovação no pós-consumo

postado por aleile @ 6:57 PM
18 de outubro de 2012

Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Essa frase, atribuída ao químico francês Antoine Laurent de Lavoisier, considerado como o pai da química moderna nunca foi tão atual para descrever o processo de reciclagem, prática que vê o reaproveitamento de resíduos em novos produtos e aplicações. Ao contrário do que indica o senso comum de que produtos reciclados são de “segunda mão”, uma série de iniciativas aponta para o investimento em novas tecnologias de transformação de resíduos, de modo que sejam criados produtos realmente novos, com grande valor de mercado e aplicação nobre. Na Bahia, uma série de projetos vêm sendo desenvolvidos no sentido de reintroduzir no mercado produtos feitos com matéria-prima reciclada. O resíduo plástico pós-consumo, por exemplo, pode ser uma alternativa ambientalmente correta para poupar a extração de recursos naturais como a madeira, que dá origem ao papel, móveis e material de construção.

Em parceria com a Cetrel, seu braço de engenharia ambiental, a Braskem vem desenvolvendo pesquisas no Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (CITA), no Polo Industrial de Camaçari, com o objetivo de transformar resíduos plásticos em peças de madeira plástica. Durante a conferência Rio +20, a usina funcionou em caráter experimental no Parque dos Atletas. O público presente no evento pôde conhecer todo o processo de confecção dos móveis, que se assemelham muito a peças de madeira rústica que são transformadas em bancos, floreiras e lixeiras, dando um destino final nobre aos resíduos. “Quando uma empresa investe em um projeto como esse, ela minimiza os impactos ambientais gerados nos processos produtivos tradicionais. Além disso, deixa de ver o resíduo como um problema e passa a encará-lo como uma nova oportunidade de negócio”, esclarece o líder em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cetrel, Alexandre Machado.

Situado em uma área de 2,5 mil metros quadrados no Polo Industrial de Camaçari (BA), o Cita abriga diversos laboratórios, que permitem a simulação de processos de reuso de água, valorização de resíduos em matrizes cerâmicas, poliméricas, metálicas e em compósitos que utilizam fibras naturais em sua estrutura. Outro projeto é a recuperação de enxofre com um grau de pureza até cinco vezes maior do que o produto disponível no mercado.

A recuperação de metais preciosos como ouro, prata, cobre e alumínio, encontrados em alguns resíduos descartados pelas empresas, principalmente as do setor de tecnologia, é outra linha de pesquisa desenvolvida no Cita, bem como a linha de pesquisa e inovação em pavimentação. Os pesquisadores da Cetrel desenvolveram um asfalto ecológico produzido a partir dos resíduos gerados em outros projetos ou em processos industriais das empresas parceiras. Ainda faz parte das pesquisas na área de inovação o desenvolvimento de membranas para a adsorção de poluentes gasosos, em apoio às atividades de monitoramento do ar, que a empresa já exerce há 14 anos em Camaçari e, desde o ano passado, em Salvador. A ideia é aproveitar compostos químicos que atuam como contaminantes do ar, a partir da instalação das membranas em fontes de poluição.

Materiais alternativos são usados na produção de veículos globais

postado por aleile @ 6:55 PM
15 de outubro de 2012

 

Reforçando os caminhos rumo à sustentabilidade e à inovação, a indústria automobilística tem ampliado o uso e a pesquisa de novos materiais para a substituição de derivados de petróleo na produção de peças para automóveis, picapes e caminhões globais. Os novos materiais investigados incluem celulose, cana-de-açúcar, dente-de-leão, milho, fibra de coco e até dinheiro reciclado. Na linha de produtos globais, a Ford mais uma vez inova e agora vai usar o equivalente a duas calças jeans transformadas em material isolante para atenuar os ruídos da pista, do vento e do motor do novo Fusion.

Atualmente, todos os carros produzidos pela Ford na América do Sul utilizam de 5 a 7 kg de PET reciclado na forma de carpetes, forro de teto, caixas de roda e mantas de forração acústica. Recentemente, foi desenvolvido um novo material ecológico, o polipropileno reciclado com fibra de sisal, usado em painéis internos. Além de mais leve, esse material tem alta resistência e também é reciclável. É usado no painel dos novos caminhões Cargo.

O compromisso da Ford de “Reduzir, reutilizar e reciclar” faz parte da estratégia global mais ampla para reduzir a sua pegada ambiental, ao mesmo tempo em que acelera o desenvolvimento de tecnologias avançadas para a economia de combustível em seus veículos.

Nos últimos anos, a Ford tem se dedicado a aumentar o uso de materiais reciclados e renováveis em seus veículos, a fim de que sejam benéficos ao meio ambiente e atendam os requisitos de desempenho e durabilidade. Outros exemplos são os porta-objetos feitos com palha de trigo, resinas recicladas para cobertura de assoalho, tecidos de bancos com fios reciclados e componentes internos plásticos reforçados com fibras naturais.

Na América do Norte, todos os carros da Ford trazem bancos feitos com espuma à base de soja. O Escape usa o kenaf, um tipo de algodão, aplicado nos apoios das portas, além de 4,5 kg de algodão reciclado de calças jeans, camisetas, suéteres e outras peças no painel. Cerca de 25 garrafas plásticas também são usadas na produção dos carpetes desse modelo.

O Focus Electric usa materiais à base de fibra de madeira nas portas e garrafas plásticas recicladas no tecido dos bancos. O Flex utiliza palha de trigo nos porta-objetos. Já o Taurus SHO aplica um tipo de camurça feita com fios 100% reciclados. Essas ideias, até pouco tempo consideradas fantasiosas, como o aproveitamento de papel moeda reciclado e fibra de coco, hoje são vistas como opções atraentes de negócio.

A Ford trabalha com uma lista crescente de colaboradores, como empresas químicas, universidades e fornecedores, para desenvolver materiais alternativos capazes de substituir ao máximo a média de 136 kg de plástico usados em um veículo.  No começo dos anos 2000, quando a Ford começou a investir forte na pesquisa de materiais sustentáveis, o petróleo era farto e relativamente barato, a US$16,65 o barril. Este ano, seu preço chegou a US$109,77.

Outro atrativo dos novos materiais pesquisados é a abundância. Como exemplo, cerca de 3,5 a 4,5 toneladas de papel moeda são retiradas diariamente de circulação nos Estados Unidos, material que acaba transformado em tijolos, é queimado ou destinado a aterros. “A Ford tem uma longa história no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, porque é a coisa certa a fazer do ponto de vista ambiental”, diz John Viera, diretor global de Sustentabilidade da Ford.

Soja como matéria-prima - A soja pode ser considerada o primeiro passo no uso de materiais sustentáveis na Ford. Henry Ford apresentou em 1941 o protótipo Soybean Car, com carroceria feita de composto plástico com fibra de soja, sisal, cânhamo e palha de trigo. O “Carro de Soja” era 450 kg mais leve que o de aço estampado e dez vezes mais resistente. Na sua demonstração, Henry Ford usou uma marreta para provar essa qualidade.

O projeto atual de uso da soja começou há 10 anos, quando um grupo de fazendeiros se aproximou da Ford buscando novos usos para as colheitas abundantes do meio-oeste americano. Os pesquisadores da Ford se desafiaram a desenvolver espumas a partir da soja que atendessem os requisitos de desempenho e durabilidade.

Padrões rigorosos - Quando atendem os rigorosos padrões de qualidade da Ford, novos materiais sustentáveis podem se juntar à lista de substitutos de derivados de petróleo já em uso. Os novos materiais são testados para avaliar como se comportam sob determinadas condições e, se aprovados, têm o seu uso recomendado. O dinheiro reciclado, por exemplo, pode ser usado na confecção de bandejas e porta-objetos da cabine. Segundo a pesquisa da Ford, não há ainda garantia de que dinheiro reciclado seja usado em veículos da montadora. Mas as perspectivas são promissoras. “Quando começamos a falar sobre isso, dez anos atrás, apenas revistas automotivas e de negócios mostravam interesse na nossa pesquisa. Hoje, é um assunto que todos comentam”, diz Debbie Mielewski, pesquisadora da Ford.

Municípios baianos aderem ao IPTU Verde

postado por aleile @ 6:52 PM
11 de outubro de 2012

Descontos anuais chegam até 30% no pagamento do IPTU para os imóveis integrantes de condomínios e loteamentos, regularmente aprovados junto ao município, que mantenham em suas áreas programas de melhoria ambiental como: coleta seletiva de lixo, captação de energia solar, uso racional de água e sua reutilização, utilização de cisternas ou outra técnica de armazenamento de água de chuva, ou outros programas semelhantes, a serem definidos a partir das necessidades primordiais de cada cidade. Este é o objetivo do IPTU Verde, projeto de lei sugerido pela Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (ADEMI-Ba).

 Lançada há um ano, a ideia tem conquistado adesões importantes como a do prefeito de Mata São João, João Gualberto Vasconcelos, que assinou com a ADEMI-Ba um Protocolo de Intenções para a elaboração da legislação municipal do IPTU Verde. O município de Camaçari também já aderiu ao Projeto de Lei. Os municípios de Lauro de Freitas e Salvador também avaliam a possibilidade de implantar os benefícios para os seus contribuintes.

A proposta do IPTU Verde – já adotada com sucesso em estados como São Paulo e Minas Gerais – vem sendo apresentada e discutida pela ADEMI-Ba, inicialmente, com os prefeitos da Região Metropolitana de Salvador, e será difundida, posteriormente, por todo o Estado. Um dos principais objetivos da ADEMI-Ba é garantir à sociedade baiana uma moradia de qualidade e bem-estar.

Para isso, a Associação vem investindo em ações importantes como a realização anual do Fórum de Sustentabilidade, que tem por objetivo debater os caminhos para o desenvolvimento de um planeta melhor. Fruto desse compromisso, a ADEMI-Ba lançou os guias de Sustentabilidade e de Consumo Consciente, desenvolvidos para orientar os nossos associados, empresários do setor, os próprios moradores de condomínios e a sociedade como um todo, como é possível, com atitudes simples, adotar práticas de gestão e de construção ambientalmente corretas.

ARTIGO: Ser ou não ser sustentável, eis a questão!

postado por aleile @ 2:32 PM
11 de outubro de 2012

Adoro colecionar o mau uso da palavra Sustentabilidade, uso tais exemplos para ilustrar o verdadeiro conceito e fazer um pouco de graça nas minhas palestras. Na verdade, sendo sincero, as organizações, às vezes, se tornam um pouco patéticas quando querem parecer verdes, ecologicamente corretas, socialmente justas e aí, a qualquer custo, tornam a palavra Sustentabilidade uma espécie de panaceia para todos os malas. Senão vejamos as seguintes autodeclarações socioambientais…

• No Facebook, existe uma comunidade chamada Casamento Sustentável voltada para as noivas que se preocupam com as pegadas ecológicas que seu grande dia vai deixar no meioambiente. Participe!

• Uma organização espanhola chamada “Oceano Ambar” lançou o primeiro manual do sexo verde, ou “cómo disfrutar del sexo ecologicamente”.

• É possível encontrar nos supermercados produtos com os rótulos: “brócolis ético”, “repolho orgânico e sustentável” e o espetacular fitoterápico “açacu reciclável”.

Agora, essas autodeclarações sobre empresas sustentáveis são consistentes? Que atributo demonstrável elas asseguram? De acordo com a norma ISO 14021 – Rótulos e declarações ambientais – Autodeclarações ambientais (Rotulagem do Tipo II) em autodeclarações é essencial a garantia de confiabilidade.

É importante que a comprovação seja conduzida da forma adequada para evitar efeitos negativos sobre o mercado, tais como barreiras comerciais ou concorrência desleal, que podem originar-se de autodeclarações irresponsáveis e enganosas sobre sustentabilidade. Essa confusão conceitual  origina-se na ideia de que um mundo melhor para todas as gerações sem prejudicar o meio ambiente é um objetivo social desejado, o que faz com que ela seja popular no mundo todo. Por isso, todos querem parecer sustentáveis. Ocorre que o uso indevido do conceito tem favorecido as críticas ao desenvolvimento sustentável; colocam-se dúvidas quanto a sua efetividade, como as que entendem ser esta mais uma trapaça do capitalismo. Há um calcanhar de Aquiles nesse movimento. Ele só faz sentido se for globalizado, e aí começam a aparecer as pedras no caminho. Se já é problemático encontrar denominadores comuns para ações localizadas no departamento de uma empresa sobre assuntos do seu cotidiano, o que se esperar quando o que está em jogo são os interesses de nações soberanas?

O movimento do desenvolvimento sustentável baseia-se na percepção de que a capacidade de carga da Terra não poderá ser ultrapassada sem que ocorram grandes catástrofes sociais e ambientais. Mais ainda, já há sinais evidentes de que em muitos casos os limites aceitáveis foram ultrapassados, como atestam diversos problemas ambientais gravíssimos, como o aquecimento global, a poluição dos rios e oceanos, a extinção acelerada de espécies vivas, bem como os sérios problemas sociais, como a pobreza que afeta bilhões de humanos, os assentamentos urbanos desprovidos de infraestruturas mínimas para uma vida digna, o tráfico de drogas e as epidemias globalizadas, como a AIDS. Estes problemas globais só podem ser resolvidos com a participação de todas as nações, governos em todas as instâncias e sociedade civil, cada um em sua área de abrangência. As empresas cumprem papel central nesse processo, pois muitos problemas socioambientais são produzidos ou estimulados pelas suas atividades. Da confluência de dois conceitos, o da responsabilidade social e o do desenvolvimento sustentável, surge o conceito de empresa sustentável, que representa a culminância de uma longa trajetória na qual a gestão empresarial foi paulatinamente incorporando comprometimentos com as demandas da sociedade.

Seguir a legislação e honrar contratos é o patamar mínimo que se espera de qualquer empresa e pode ser feito conforme os esquemas apresentados, isto é, estando conforme as leis em vigor, evitando litígios e antecipando as mudanças na legislação. Ou seja, a empresa sustentável é a que procura incorporar os conceitos e objetivos relacionados com o desenvolvimento sustentável nas suas políticas e práticas de modo consistente. Contribuir para o desenvolvimento sustentável é o objetivo dessa empresa e a responsabilidade social, o meio para tornar a sua contribuição efetiva.

 

Jorge Cajazeira, Ph.D. é Presidente Mundial da ISO 26000 e Diretor de Relações Institucionais da Suzano Papel e Celulose