Reúso_ Estação de Tratamento de Água da Cristal (ETA)

Política de promoção do desenvolvimento sustentável a partir do uso racional e eficiente dos recursos naturais. Esta tem sido uma prática de empresas que visam oportunidades de negócios aliadas à responsabilidade social e ambiental. A Fonte D’Vida, por exemplo, reaproveita a água que sobra no processo de lavagem dos garrafões para a lavagem de piso, a descarga dos sanitários e a irrigação dos jardins da própria empresa. Também preocupada em preservar a natureza, a fábrica Cristal instalou uma Estação de Tratamento de Água (ETA) para evitar a descarga concentrada de sedimentos no afluente. O Shopping Iguatemi, por sua vez, faz uso do sistema EC-H2, que permite o reaproveitamento de água para a higienização de todos os seus corredores e estacionamentos. Da mesma forma, a Carboflex investe em sistema de captação da água da chuva para o reaproveitamento.

Empresa que capta e comercializa água mineral natural, a Fonte D´Vida promove ações de sustentabilidade a partir do uso racional e eficiente do recurso hídrico. “Basicamente, toda a água extraída é utilizada no processo produtivo, que consiste no envasamento da água mineral natural. Para esta finalidade, utilizamos modernos equipamentos, com alta eficiência no processo de limpeza e envase”, afirma o gerente da empresa, Marcelo Gaudio. Já a água que sobra no processo de lavagem dos garrafões, explica, é enviada para uma Central de Tratamento e, posteriormente, para uma unidade de reaproveitamento, onde a mesma é canalizada para um reservatório. “Posteriormente, essa água servirá para a lavagem de piso, a descarga dos sanitários e a irrigação dos jardins da empresa”.

Esse processo, ressalta Marcelo Gaudio, permite a utilização racional de 100% da água captada pela Fonte D’ Vida. “Com o reaproveitamento de água, a empresa economiza cerca de 100 mil litros de água por mês. Como não utilizamos a água da concessionária de serviços públicos (Embasa), entendemos que, a preço de água mineral, economizamos um valor próximo a R$ 10 mil mensais”. Atualmente, destaca, a empresa gera a própria energia por meio de gerador, no horário das 18h às 21h, também conhecido como horário de ponta da Coelba, cujo preço do kwh é dez vezes mais caro que o preço da energia elétrica no resto do dia. “Esta ação desafoga a concessionária que, normalmente, nesse horário, está sobrecarregada com o consumo das residências e demais indústrias, e a economia que geramos fica em torno de R$ 5 mil por mês”, contabiliza.

Em 2014, revela, o plano da Fonte D´Vida é aumentar o uso de energia alternativa e não poluente – que são as energias eólica e solar. “Em um primeiro estágio, o projeto contemplará a iluminação interna e externa da fábrica, o laboratório e a administração. Posteriormente, iniciaremos o uso dessa energia no processo fabril”.

Carboflex 2012

Água de chuva - Outro exemplo de sustentabilidade é a empresa baiana Carboflex, localizada em São Sebastião do Passé. “A partir da execução de um projeto inovador e de baixo custo, realizado por dois colaboradores, a água da chuva virou um elemento importante para a preservação do meio ambiente, o consumo consciente e a redução de despesas”, ressaltou Maurício Carneiro, gerente operacional da planta de fluídos. A ideia surgiu quando o operador de planta, Anísio Moreno, observou o grande volume de água da chuva que não era aproveitado e desenvolveu um sistema para armazená-la em tanques.

“Eu não me conformava ao ver aquela quantidade de água indo embora e sendo desperdiçada. Sabia que, se existisse um sistema de captação, seria muito útil para a economia da empresa e ajudaria o meio ambiente. Como eu sou curioso, fui buscar um jeito de aproveitar a água e levei o projeto ao meu chefe que apostou na ideia e autorizou a execução”, contou Anísio Moreno, explicando que o seu programa consiste em direcionar e armazenar o líquido em um reservatório para utilizá-lo no sistema de combate a incêndio, produção de fluídos e lavagens. “A partir deste sistema, conseguimos alimentar os cinco tanques com capacidade de 20 m³ cada um, no período de chuva, mantendo-os sempre cheios. Com as demandas de produção, conseguimos obter uma economia de R$ 3 mil para repor o estoque de água, que varia de acordo com o índice pluviométrico”, afirmou Maurício Carneiro.

Conscientização ambiental- Já no Shopping Iguatemi, que embarcou em uma campanha permanente de conscientização ambiental junto aos lojistas, colaboradores e clientes, entre as principais ações promovidas está o uso do sistema EC-H2. O projeto permite o reaproveitamento de água para a higienização de todos os corredores e estacionamentos do shopping através de máquinas que dispensam o uso de produtos químicos. Desta forma, é possível lavar uma área de 28mil m² de estacionamento e 20mil m² de mall com uma economia de 70% de água e sem o uso de produtos de limpeza, segundo o afirma o superintendente do Shopping Iguatemi, Sérgio Magalhães.

“Como o primeiro shopping da Bahia, temos um compromisso social e ambiental com a cidade. Por dia, recebemos mais de 100 mil pessoas, então todas as nossas ações são pensadas para oferecer o menor dano possível e devolver ao meio ambiente os recursos utilizados. Somos o único shopping com uma usina própria de cogeração de energia e temos outras atividades de descarte e reciclagem”, enaltece o superintendente do shopping.

No campo da reciclagem, ele destaca a de bitucas de cigarro, recolhimento de pilhas e baterias de celular, o descarte de lâmpadas fluorescentes e a seleção de lixo para reciclagem junto a uma cooperativa (papelão, plástico, papel e vidro). Parcerias com empresas e cooperativas especializadas foram feitas visando garantir o manuseio correto dos materiais e a sua melhor utilização, como é o caso do programa Bitueco. “Por meio dele, todas as bitucas de cigarro descartadas nos cinzeiros localizados nas entradas do shopping são recolhidas em sacos biodegradáveis e armazenadas em caixas que são vedadas e enviadas para a sede do Bitueco, localizada em São Paulo. Lá, esse material é transformado em matéria-prima e é utilizado em indústrias cimentícias e siderúrgicas”, explica Sérgio Magalhães.

Outra parceria firmada é com a Cooperativa de Catadores de Agentes Ecológicos de Canabrava (CAEC). “O Shopping Iguatemi possui uma Central de Resíduos para onde é levado todo o material recolhido das lojas, entre papelão, plástico, pet, ferro, alumínio, vidro, revistas, jornais e papel branco. Na Central, esse material é separado, prensado e comercializado pela cooperativa, que o vende para indústrias de recicláveis. O valor arrecadado com a venda obtida através desse processo é inteiramente doado aos catadores da CAEC, ajudando a sustentar cerca de 15 famílias da região”, conta o superintendente.

Também dentro da proposta de reduzir o impacto ambiental, o Shopping Iguatemi faz uso de caixas próprias para o armazenamento e descarte de lâmpadas fluorescentes, localizadas nas docas do estabelecimento e usadas para o uso da manutenção e das lojas. Uma vez por mês, essas caixas são descartadas para uma empresa especializada, a Ivomax, responsável pelo coprocessamento e revitalização dos resíduos, sem utilizar aterros industriais e sem gerar efluentes líquidos, conforme o superintendente.

O shopping é o responsável, ainda, pela manutenção de toda a área verde localizada em seu perímetro. No entorno, foram plantadas espécies de árvores da Mata Atlântica que estão em extinção. Ao todo, são 60 árvores, entre 26 mudas de Sibipiruna, 18 de Pau Brasil e 16 de Pau Ferro.
Tratamento de água – Ações diferenciadas para garantir o uso responsável da água são verificadas, também, na empresa Cristal. O destaque da fábrica baiana é a Estação de Tratamento de Água (ETA), uma tecnologia que evita a descarga concentrada de sedimentos no afluente, visando evitar que os sólidos depositados no fundo dos decantadores, durante o processo de purificação da água, retornem para o Rio Capivara. Segundo a supervisora de Meio Ambiente da Cristal, Vilma Pedreira, todas as etapas do processo produtivo são pensadas de acordo com as orientações e com as  condicionantes estabelecidas por órgãos regulamentadores do Governo, como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

“A iniciativa diminui o risco de assoreamento, uma vez que os sedimentos resultantes do processo de tratamento de água passam por uma filtragem, e grande parte do material orgânico, já em estado pastoso, não é colocada no curso do rio. Poucas indústrias no Brasil têm esse tipo de cuidado”, afirma Vilma Pedreira. Toda a água que é captada do Rio Capivara para abastecer a planta, explica, tem a sua captação autorizada, conforme outorga emitida pelo antigo Instituto de Águas e Clima (Ingá), atual Inema.

A preocupação com o meio ambiente também está presente na Mina da Paraíba, onde a referência fica por conta do programa de Reúso de Efluentes. Atualmente, a mina consegue aproveitar, de forma direta, 120 m³/h e, indireta, 105 m³/h das águas de processo das plantas fixas, podendo atingir até 400m³/h. “Com isso, a empresa reduz a captação de água do Rio Guajú, e isso significa uma redução de 19% no atual volume de captação de água do rio”, explica o chefe de Laboratório e Meio Ambiente, Virgílio Gadelha. Desde o início do programa, em 2007, em função do reúso direto de efluentes, 5.900 mil m³ de água deixaram de ser captados, volume suficiente para abastecer, durante um ano, uma cidade com mais de 100 mil habitantes. “Estamos todos envolvidos em um período para focar a atenção sobre a importância de evitar o desperdício de água e garantir uma gestão sustentável dos recursos hídricos”, frisa Vilmar Pedreira.

No condo-resort Iberostate Praia do Forte, a água da chuva é capturada e armazenada em um pequeno lago artificial. Esse lago, explica Cesar Torres, diretor de engenharia do empreendimento, é usado como fonte de água para o sistema de irrigação de áreas verdes. “É proibida a utilização de cercas de madeira, concreto ou muros, privilegiando as cercas vivas, que ajudam na manutenção do ecossistema natural, servindo de abrigo para a fauna local”, ressalta. Além disso, completa, o Iberostate Praia do Forte mantém um berçário próprio de espécies da flora local para a recuperação de áreas nativas. “Na área marítima, o condomínio mantém parceria com o projeto Tamar para a preservação do habitat natural de desova e reprodução das tartarugas marinhas, com uma iluminação diferenciada nas proximidades do mar”.

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