A sustentabilidade como fator de competitividade

postado por aleile @ 7:10 PM
2 de agosto de 2013

Asher Kiperstok_rejane Carneiro

Na última década, a adoção de melhores práticas em gestão ambiental, incluindo o reaproveitamento dos resíduos, vem se intensificando não apenas por imposição da legislação, mas porque as empresas passaram a enxergar a sustentabilidade como fator de competitividade. É o que acredita Asher Kiperstok, professor coordenador da Teclim – Rede de Tecnologias Limpas, da Universidade Federal da Bahia.

Na sua concepção, o ideal é que não se produza resíduos. É o que diferencia as tecnologias limpas das chamadas tecnologias de fim de tubo. “Resíduo significa desperdício de matéria-prima, gera passivo ambiental e custos de tratamento. O mais inteligente é investir em tecnologia para adequar o processo produtivo de forma a não gerar subprodutos”, explica. A perspectiva, no futuro, é que as indústrias operem desta maneira. Mas nem sempre a tecnologia disponível hoje é capaz de proporcionar o cenário ideal.

“Diante da impossibilidade tecnológica de não produzi-lo, deve-se dar ao resíduo a melhor destinação possível”, acredita Kiperstok. Este destino, inclusive, pode ser o próprio mercado. “O material que, para uma empresa, é considerado resíduo ou subproduto, porque não é o seu negócio principal, pode ter valor para outras cadeias produtivas”, explica.

É o caso da Paranapanema (ex-Caraíba Metais), que transformou a escória de cobre, um subproduto do processamento do metal, em produto com valor de mercado. O granulado, que durante 27 anos foi acumulado nas propriedades do grupo, hoje, é utilizado pelo segmento de jateamento de superfícies metálicas e consumido por empresas que prestam serviços como a limpeza de cascos de navio. O material entra ainda na composição de cimento, concreto e argamassa utilizados na Construção Civil.

Implantada desde 2001, após pesquisas feitas em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana – Uefs, o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica – Cepel e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a medida zerou os estoques de escória de cobre da Paranapanema. Em 2012, 386 mil toneladas do produto, que seriam resíduos sem utilidade, foram comercializadas, gerando receita e aumentando a competitividade do grupo.

“O caminho é pensar em alternativas que valorizem esses materiais, que gerem maior valor agregado e retorno econômico e social”, acredita Kiperstok, que não costuma chamá-los de resíduos, justamente pelo sentido depreciativo do termo. Se depender da vontade e da iniciativa das empresas do Complexo Industrial de Camaçari, essa tendência se tornará cada vez mais uma realidade concreta.

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