Como se “fabrica” uma árvore? Com atitude, trabalho e parceria. É assim que o programa Fábrica de Florestas está começando a mudar a realidade ambiental do país. Iniciado em Salvador, na região do Polo Industrial de Camaçari (BA), e também em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), localizadas no Litoral Norte do Estado, o programa idealizado e desenvolvido pelo Instituto Fábrica de Florestas (IFF), atravessou a divisa da Bahia e está sendo replicado nas cidades de Paulínia e Santo André (São Paulo) e em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, graças à parceria firmada entre a Braskem e as prefeituras desses municípios.

“O Fábrica de Florestas é um conjunto de ações voltadas à restauração de áreas de Mata Atlântica”, explica Álvaro Oyama, diretor-executivo do IFF. Hoje, a Braskem, a Cetrel e o Cofic são os principais mantenedores desse programa que atualmente conta com diversas entidades públicas e privadas que atuam como parceiros com a aquisição de mudas para a recuperação de áreas degradadas com espécimes nativas da Mata Atlântica.

O interesse da Braskem pelo Fábrica de Florestas surgiu em 2009, quando a atuação do Incecc nas comunidades da região, em atividades socioambientais como os plantios comunitários no Anel Florestal do Polo de Camaçari, começou a chamar atenção por seus resultados. A parceria foi firmada em 2010. “Avaliando a convergência com o seu propósito de incentivar o desenvolvimento sustentável, a Braskem se associou à iniciativa”, explica Emmanuel Lacerda, gerente de Relações Institucionais da Braskem.

Desde o início do projeto, em 2008, mais de 400 mil mudas de sucupira, aroeira, camaçari, pau-pombo, entre outras espécies nativas, já foram plantadas. Em 2005, o parque Sauípe foi doado para o INCECC pela Construtora Norberto Odebrecht. São 66 hectares de Mata Atlântica, onde estão protegidas duas nascentes e cinco lagoas, além de uma fauna silvestre com mais de 280 espécies catalogadas de pássaros, répteis e pequenos mamíferos. O parque tem ainda bosques com sucupiras, palmeiras, cajueiros, mangabeiras e imbiribeiras. Em 2011, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) também se associou ao projeto, oferecendo, em regime de comodato, a área onde está instalado o viveiro principal.

Emmanuel Lacerda (Braskem) explica que o Fábrica de Florestas funciona como uma plataforma para ações  específicas de reflorestamento de outras empresas parceiras, uma vez que a Braskem garante a remuneração das equipes de produção, plantio de mudas e o custeio da infraestrutura. Além disso, a empresa envolve as comunidades locais no processo de preservação da biodiversidade.

A ideia de criar uma faixa de vegetação em volta do Polo (conhecida como Cinturão Verde) já fazia parte do projeto de sua implantação, no início da década de 1970. Foi uma experiência inédita no mundo, segundo o diretor-executivo do Incecc, Álvaro Oyama. “Mas foram plantadas poucas árvores nativas e muitas do gênero pinus e eucaliptos, que são espécies exóticas. Não havia a compreensão da necessidade de se preservar as espécies nativas”, explica.

O objetivo do Fábrica de Florestas é adensar os cerca de 2.800 hectares do anel florestal, a fim de restaurar a diversidade característica da Mata Atlântica. Será possível conectar a área com fragmentos remanescentes situados na APA Joanes-Ipitanga, formando assim o Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros. “Já produzimos 78 espécies e queremos chegar a mais de 100 este ano”, informa Álvaro Oyama, ressaltando que a prioridade é recuperar matas ciliares e nascentes como as dos rios Joanes e Ipitanga. A Bacia Joanes Ipitanga é responsável por 40% do abastecimento de água em Salvador.

Berçário florestal - A engenheira florestal e coordenadora do Fábrica de Florestas, Loyane Borges, cuida do viveiro das mudas e define o destino das novas árvores. Ela explica que sementes e plântulas (sementes com poucos dias de germinação e que medem cerca de 10 cm) são colhidas no campo e transportadas para o viveiro, onde são transformadas em mudas. Essa fase de “berçário” dura cerca de seis meses, a depender da espécie.

Em seguida, a muda passa por um período de aclimatação, no qual fica exposta ao sol e sofre uma diminuição gradativa da irrigação por, pelo menos, um mês. Só então ela é plantada no campo, onde continua sendo monitorada durante, aproximadamente, três anos ou até que possa se desenvolver sozinha. “Cuidamos delas como se fossem bebês, e a cada plantio nos sentimos orgulhosos do que criamos”, afirma Loyane.

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