ARTIGO: Ser ou não ser sustentável, eis a questão!

postado por aleile @ 2:32 PM
11 de outubro de 2012

Adoro colecionar o mau uso da palavra Sustentabilidade, uso tais exemplos para ilustrar o verdadeiro conceito e fazer um pouco de graça nas minhas palestras. Na verdade, sendo sincero, as organizações, às vezes, se tornam um pouco patéticas quando querem parecer verdes, ecologicamente corretas, socialmente justas e aí, a qualquer custo, tornam a palavra Sustentabilidade uma espécie de panaceia para todos os malas. Senão vejamos as seguintes autodeclarações socioambientais…

• No Facebook, existe uma comunidade chamada Casamento Sustentável voltada para as noivas que se preocupam com as pegadas ecológicas que seu grande dia vai deixar no meioambiente. Participe!

• Uma organização espanhola chamada “Oceano Ambar” lançou o primeiro manual do sexo verde, ou “cómo disfrutar del sexo ecologicamente”.

• É possível encontrar nos supermercados produtos com os rótulos: “brócolis ético”, “repolho orgânico e sustentável” e o espetacular fitoterápico “açacu reciclável”.

Agora, essas autodeclarações sobre empresas sustentáveis são consistentes? Que atributo demonstrável elas asseguram? De acordo com a norma ISO 14021 – Rótulos e declarações ambientais – Autodeclarações ambientais (Rotulagem do Tipo II) em autodeclarações é essencial a garantia de confiabilidade.

É importante que a comprovação seja conduzida da forma adequada para evitar efeitos negativos sobre o mercado, tais como barreiras comerciais ou concorrência desleal, que podem originar-se de autodeclarações irresponsáveis e enganosas sobre sustentabilidade. Essa confusão conceitual  origina-se na ideia de que um mundo melhor para todas as gerações sem prejudicar o meio ambiente é um objetivo social desejado, o que faz com que ela seja popular no mundo todo. Por isso, todos querem parecer sustentáveis. Ocorre que o uso indevido do conceito tem favorecido as críticas ao desenvolvimento sustentável; colocam-se dúvidas quanto a sua efetividade, como as que entendem ser esta mais uma trapaça do capitalismo. Há um calcanhar de Aquiles nesse movimento. Ele só faz sentido se for globalizado, e aí começam a aparecer as pedras no caminho. Se já é problemático encontrar denominadores comuns para ações localizadas no departamento de uma empresa sobre assuntos do seu cotidiano, o que se esperar quando o que está em jogo são os interesses de nações soberanas?

O movimento do desenvolvimento sustentável baseia-se na percepção de que a capacidade de carga da Terra não poderá ser ultrapassada sem que ocorram grandes catástrofes sociais e ambientais. Mais ainda, já há sinais evidentes de que em muitos casos os limites aceitáveis foram ultrapassados, como atestam diversos problemas ambientais gravíssimos, como o aquecimento global, a poluição dos rios e oceanos, a extinção acelerada de espécies vivas, bem como os sérios problemas sociais, como a pobreza que afeta bilhões de humanos, os assentamentos urbanos desprovidos de infraestruturas mínimas para uma vida digna, o tráfico de drogas e as epidemias globalizadas, como a AIDS. Estes problemas globais só podem ser resolvidos com a participação de todas as nações, governos em todas as instâncias e sociedade civil, cada um em sua área de abrangência. As empresas cumprem papel central nesse processo, pois muitos problemas socioambientais são produzidos ou estimulados pelas suas atividades. Da confluência de dois conceitos, o da responsabilidade social e o do desenvolvimento sustentável, surge o conceito de empresa sustentável, que representa a culminância de uma longa trajetória na qual a gestão empresarial foi paulatinamente incorporando comprometimentos com as demandas da sociedade.

Seguir a legislação e honrar contratos é o patamar mínimo que se espera de qualquer empresa e pode ser feito conforme os esquemas apresentados, isto é, estando conforme as leis em vigor, evitando litígios e antecipando as mudanças na legislação. Ou seja, a empresa sustentável é a que procura incorporar os conceitos e objetivos relacionados com o desenvolvimento sustentável nas suas políticas e práticas de modo consistente. Contribuir para o desenvolvimento sustentável é o objetivo dessa empresa e a responsabilidade social, o meio para tornar a sua contribuição efetiva.

 

Jorge Cajazeira, Ph.D. é Presidente Mundial da ISO 26000 e Diretor de Relações Institucionais da Suzano Papel e Celulose

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