Posts de outubro de 2012


Como se “fabrica” uma árvore? Com atitude, trabalho e parceria. É assim que o programa Fábrica de Florestas está começando a mudar a realidade ambiental do país. Iniciado em Salvador, na região do Polo Industrial de Camaçari (BA), e também em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), localizadas no Litoral Norte do Estado, o programa idealizado e desenvolvido pelo Instituto Fábrica de Florestas (IFF), atravessou a divisa da Bahia e está sendo replicado nas cidades de Paulínia e Santo André (São Paulo) e em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, graças à parceria firmada entre a Braskem e as prefeituras desses municípios.

“O Fábrica de Florestas é um conjunto de ações voltadas à restauração de áreas de Mata Atlântica”, explica Álvaro Oyama, diretor-executivo do IFF. Hoje, a Braskem, a Cetrel e o Cofic são os principais mantenedores desse programa que atualmente conta com diversas entidades públicas e privadas que atuam como parceiros com a aquisição de mudas para a recuperação de áreas degradadas com espécimes nativas da Mata Atlântica.

O interesse da Braskem pelo Fábrica de Florestas surgiu em 2009, quando a atuação do Incecc nas comunidades da região, em atividades socioambientais como os plantios comunitários no Anel Florestal do Polo de Camaçari, começou a chamar atenção por seus resultados. A parceria foi firmada em 2010. “Avaliando a convergência com o seu propósito de incentivar o desenvolvimento sustentável, a Braskem se associou à iniciativa”, explica Emmanuel Lacerda, gerente de Relações Institucionais da Braskem.

Desde o início do projeto, em 2008, mais de 400 mil mudas de sucupira, aroeira, camaçari, pau-pombo, entre outras espécies nativas, já foram plantadas. Em 2005, o parque Sauípe foi doado para o INCECC pela Construtora Norberto Odebrecht. São 66 hectares de Mata Atlântica, onde estão protegidas duas nascentes e cinco lagoas, além de uma fauna silvestre com mais de 280 espécies catalogadas de pássaros, répteis e pequenos mamíferos. O parque tem ainda bosques com sucupiras, palmeiras, cajueiros, mangabeiras e imbiribeiras. Em 2011, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) também se associou ao projeto, oferecendo, em regime de comodato, a área onde está instalado o viveiro principal.

Emmanuel Lacerda (Braskem) explica que o Fábrica de Florestas funciona como uma plataforma para ações  específicas de reflorestamento de outras empresas parceiras, uma vez que a Braskem garante a remuneração das equipes de produção, plantio de mudas e o custeio da infraestrutura. Além disso, a empresa envolve as comunidades locais no processo de preservação da biodiversidade.

A ideia de criar uma faixa de vegetação em volta do Polo (conhecida como Cinturão Verde) já fazia parte do projeto de sua implantação, no início da década de 1970. Foi uma experiência inédita no mundo, segundo o diretor-executivo do Incecc, Álvaro Oyama. “Mas foram plantadas poucas árvores nativas e muitas do gênero pinus e eucaliptos, que são espécies exóticas. Não havia a compreensão da necessidade de se preservar as espécies nativas”, explica.

O objetivo do Fábrica de Florestas é adensar os cerca de 2.800 hectares do anel florestal, a fim de restaurar a diversidade característica da Mata Atlântica. Será possível conectar a área com fragmentos remanescentes situados na APA Joanes-Ipitanga, formando assim o Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros. “Já produzimos 78 espécies e queremos chegar a mais de 100 este ano”, informa Álvaro Oyama, ressaltando que a prioridade é recuperar matas ciliares e nascentes como as dos rios Joanes e Ipitanga. A Bacia Joanes Ipitanga é responsável por 40% do abastecimento de água em Salvador.

Berçário florestal - A engenheira florestal e coordenadora do Fábrica de Florestas, Loyane Borges, cuida do viveiro das mudas e define o destino das novas árvores. Ela explica que sementes e plântulas (sementes com poucos dias de germinação e que medem cerca de 10 cm) são colhidas no campo e transportadas para o viveiro, onde são transformadas em mudas. Essa fase de “berçário” dura cerca de seis meses, a depender da espécie.

Em seguida, a muda passa por um período de aclimatação, no qual fica exposta ao sol e sofre uma diminuição gradativa da irrigação por, pelo menos, um mês. Só então ela é plantada no campo, onde continua sendo monitorada durante, aproximadamente, três anos ou até que possa se desenvolver sozinha. “Cuidamos delas como se fossem bebês, e a cada plantio nos sentimos orgulhosos do que criamos”, afirma Loyane.


Sustentabilidade e inovação no pós-consumo

postado por aleile @ 6:57 PM
18 de outubro de 2012

Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Essa frase, atribuída ao químico francês Antoine Laurent de Lavoisier, considerado como o pai da química moderna nunca foi tão atual para descrever o processo de reciclagem, prática que vê o reaproveitamento de resíduos em novos produtos e aplicações. Ao contrário do que indica o senso comum de que produtos reciclados são de “segunda mão”, uma série de iniciativas aponta para o investimento em novas tecnologias de transformação de resíduos, de modo que sejam criados produtos realmente novos, com grande valor de mercado e aplicação nobre. Na Bahia, uma série de projetos vêm sendo desenvolvidos no sentido de reintroduzir no mercado produtos feitos com matéria-prima reciclada. O resíduo plástico pós-consumo, por exemplo, pode ser uma alternativa ambientalmente correta para poupar a extração de recursos naturais como a madeira, que dá origem ao papel, móveis e material de construção.

Em parceria com a Cetrel, seu braço de engenharia ambiental, a Braskem vem desenvolvendo pesquisas no Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (CITA), no Polo Industrial de Camaçari, com o objetivo de transformar resíduos plásticos em peças de madeira plástica. Durante a conferência Rio +20, a usina funcionou em caráter experimental no Parque dos Atletas. O público presente no evento pôde conhecer todo o processo de confecção dos móveis, que se assemelham muito a peças de madeira rústica que são transformadas em bancos, floreiras e lixeiras, dando um destino final nobre aos resíduos. “Quando uma empresa investe em um projeto como esse, ela minimiza os impactos ambientais gerados nos processos produtivos tradicionais. Além disso, deixa de ver o resíduo como um problema e passa a encará-lo como uma nova oportunidade de negócio”, esclarece o líder em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cetrel, Alexandre Machado.

Situado em uma área de 2,5 mil metros quadrados no Polo Industrial de Camaçari (BA), o Cita abriga diversos laboratórios, que permitem a simulação de processos de reuso de água, valorização de resíduos em matrizes cerâmicas, poliméricas, metálicas e em compósitos que utilizam fibras naturais em sua estrutura. Outro projeto é a recuperação de enxofre com um grau de pureza até cinco vezes maior do que o produto disponível no mercado.

A recuperação de metais preciosos como ouro, prata, cobre e alumínio, encontrados em alguns resíduos descartados pelas empresas, principalmente as do setor de tecnologia, é outra linha de pesquisa desenvolvida no Cita, bem como a linha de pesquisa e inovação em pavimentação. Os pesquisadores da Cetrel desenvolveram um asfalto ecológico produzido a partir dos resíduos gerados em outros projetos ou em processos industriais das empresas parceiras. Ainda faz parte das pesquisas na área de inovação o desenvolvimento de membranas para a adsorção de poluentes gasosos, em apoio às atividades de monitoramento do ar, que a empresa já exerce há 14 anos em Camaçari e, desde o ano passado, em Salvador. A ideia é aproveitar compostos químicos que atuam como contaminantes do ar, a partir da instalação das membranas em fontes de poluição.


Materiais alternativos são usados na produção de veículos globais

postado por aleile @ 6:55 PM
15 de outubro de 2012

 

Reforçando os caminhos rumo à sustentabilidade e à inovação, a indústria automobilística tem ampliado o uso e a pesquisa de novos materiais para a substituição de derivados de petróleo na produção de peças para automóveis, picapes e caminhões globais. Os novos materiais investigados incluem celulose, cana-de-açúcar, dente-de-leão, milho, fibra de coco e até dinheiro reciclado. Na linha de produtos globais, a Ford mais uma vez inova e agora vai usar o equivalente a duas calças jeans transformadas em material isolante para atenuar os ruídos da pista, do vento e do motor do novo Fusion.

Atualmente, todos os carros produzidos pela Ford na América do Sul utilizam de 5 a 7 kg de PET reciclado na forma de carpetes, forro de teto, caixas de roda e mantas de forração acústica. Recentemente, foi desenvolvido um novo material ecológico, o polipropileno reciclado com fibra de sisal, usado em painéis internos. Além de mais leve, esse material tem alta resistência e também é reciclável. É usado no painel dos novos caminhões Cargo.

O compromisso da Ford de “Reduzir, reutilizar e reciclar” faz parte da estratégia global mais ampla para reduzir a sua pegada ambiental, ao mesmo tempo em que acelera o desenvolvimento de tecnologias avançadas para a economia de combustível em seus veículos.

Nos últimos anos, a Ford tem se dedicado a aumentar o uso de materiais reciclados e renováveis em seus veículos, a fim de que sejam benéficos ao meio ambiente e atendam os requisitos de desempenho e durabilidade. Outros exemplos são os porta-objetos feitos com palha de trigo, resinas recicladas para cobertura de assoalho, tecidos de bancos com fios reciclados e componentes internos plásticos reforçados com fibras naturais.

Na América do Norte, todos os carros da Ford trazem bancos feitos com espuma à base de soja. O Escape usa o kenaf, um tipo de algodão, aplicado nos apoios das portas, além de 4,5 kg de algodão reciclado de calças jeans, camisetas, suéteres e outras peças no painel. Cerca de 25 garrafas plásticas também são usadas na produção dos carpetes desse modelo.

O Focus Electric usa materiais à base de fibra de madeira nas portas e garrafas plásticas recicladas no tecido dos bancos. O Flex utiliza palha de trigo nos porta-objetos. Já o Taurus SHO aplica um tipo de camurça feita com fios 100% reciclados. Essas ideias, até pouco tempo consideradas fantasiosas, como o aproveitamento de papel moeda reciclado e fibra de coco, hoje são vistas como opções atraentes de negócio.

A Ford trabalha com uma lista crescente de colaboradores, como empresas químicas, universidades e fornecedores, para desenvolver materiais alternativos capazes de substituir ao máximo a média de 136 kg de plástico usados em um veículo.  No começo dos anos 2000, quando a Ford começou a investir forte na pesquisa de materiais sustentáveis, o petróleo era farto e relativamente barato, a US$16,65 o barril. Este ano, seu preço chegou a US$109,77.

Outro atrativo dos novos materiais pesquisados é a abundância. Como exemplo, cerca de 3,5 a 4,5 toneladas de papel moeda são retiradas diariamente de circulação nos Estados Unidos, material que acaba transformado em tijolos, é queimado ou destinado a aterros. “A Ford tem uma longa história no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, porque é a coisa certa a fazer do ponto de vista ambiental”, diz John Viera, diretor global de Sustentabilidade da Ford.

Soja como matéria-prima - A soja pode ser considerada o primeiro passo no uso de materiais sustentáveis na Ford. Henry Ford apresentou em 1941 o protótipo Soybean Car, com carroceria feita de composto plástico com fibra de soja, sisal, cânhamo e palha de trigo. O “Carro de Soja” era 450 kg mais leve que o de aço estampado e dez vezes mais resistente. Na sua demonstração, Henry Ford usou uma marreta para provar essa qualidade.

O projeto atual de uso da soja começou há 10 anos, quando um grupo de fazendeiros se aproximou da Ford buscando novos usos para as colheitas abundantes do meio-oeste americano. Os pesquisadores da Ford se desafiaram a desenvolver espumas a partir da soja que atendessem os requisitos de desempenho e durabilidade.

Padrões rigorosos - Quando atendem os rigorosos padrões de qualidade da Ford, novos materiais sustentáveis podem se juntar à lista de substitutos de derivados de petróleo já em uso. Os novos materiais são testados para avaliar como se comportam sob determinadas condições e, se aprovados, têm o seu uso recomendado. O dinheiro reciclado, por exemplo, pode ser usado na confecção de bandejas e porta-objetos da cabine. Segundo a pesquisa da Ford, não há ainda garantia de que dinheiro reciclado seja usado em veículos da montadora. Mas as perspectivas são promissoras. “Quando começamos a falar sobre isso, dez anos atrás, apenas revistas automotivas e de negócios mostravam interesse na nossa pesquisa. Hoje, é um assunto que todos comentam”, diz Debbie Mielewski, pesquisadora da Ford.


Municípios baianos aderem ao IPTU Verde

postado por aleile @ 6:52 PM
11 de outubro de 2012

Descontos anuais chegam até 30% no pagamento do IPTU para os imóveis integrantes de condomínios e loteamentos, regularmente aprovados junto ao município, que mantenham em suas áreas programas de melhoria ambiental como: coleta seletiva de lixo, captação de energia solar, uso racional de água e sua reutilização, utilização de cisternas ou outra técnica de armazenamento de água de chuva, ou outros programas semelhantes, a serem definidos a partir das necessidades primordiais de cada cidade. Este é o objetivo do IPTU Verde, projeto de lei sugerido pela Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (ADEMI-Ba).

 Lançada há um ano, a ideia tem conquistado adesões importantes como a do prefeito de Mata São João, João Gualberto Vasconcelos, que assinou com a ADEMI-Ba um Protocolo de Intenções para a elaboração da legislação municipal do IPTU Verde. O município de Camaçari também já aderiu ao Projeto de Lei. Os municípios de Lauro de Freitas e Salvador também avaliam a possibilidade de implantar os benefícios para os seus contribuintes.

A proposta do IPTU Verde – já adotada com sucesso em estados como São Paulo e Minas Gerais – vem sendo apresentada e discutida pela ADEMI-Ba, inicialmente, com os prefeitos da Região Metropolitana de Salvador, e será difundida, posteriormente, por todo o Estado. Um dos principais objetivos da ADEMI-Ba é garantir à sociedade baiana uma moradia de qualidade e bem-estar.

Para isso, a Associação vem investindo em ações importantes como a realização anual do Fórum de Sustentabilidade, que tem por objetivo debater os caminhos para o desenvolvimento de um planeta melhor. Fruto desse compromisso, a ADEMI-Ba lançou os guias de Sustentabilidade e de Consumo Consciente, desenvolvidos para orientar os nossos associados, empresários do setor, os próprios moradores de condomínios e a sociedade como um todo, como é possível, com atitudes simples, adotar práticas de gestão e de construção ambientalmente corretas.


ARTIGO: Ser ou não ser sustentável, eis a questão!

postado por aleile @ 2:32 PM
11 de outubro de 2012

Adoro colecionar o mau uso da palavra Sustentabilidade, uso tais exemplos para ilustrar o verdadeiro conceito e fazer um pouco de graça nas minhas palestras. Na verdade, sendo sincero, as organizações, às vezes, se tornam um pouco patéticas quando querem parecer verdes, ecologicamente corretas, socialmente justas e aí, a qualquer custo, tornam a palavra Sustentabilidade uma espécie de panaceia para todos os malas. Senão vejamos as seguintes autodeclarações socioambientais…

• No Facebook, existe uma comunidade chamada Casamento Sustentável voltada para as noivas que se preocupam com as pegadas ecológicas que seu grande dia vai deixar no meioambiente. Participe!

• Uma organização espanhola chamada “Oceano Ambar” lançou o primeiro manual do sexo verde, ou “cómo disfrutar del sexo ecologicamente”.

• É possível encontrar nos supermercados produtos com os rótulos: “brócolis ético”, “repolho orgânico e sustentável” e o espetacular fitoterápico “açacu reciclável”.

Agora, essas autodeclarações sobre empresas sustentáveis são consistentes? Que atributo demonstrável elas asseguram? De acordo com a norma ISO 14021 – Rótulos e declarações ambientais – Autodeclarações ambientais (Rotulagem do Tipo II) em autodeclarações é essencial a garantia de confiabilidade.

É importante que a comprovação seja conduzida da forma adequada para evitar efeitos negativos sobre o mercado, tais como barreiras comerciais ou concorrência desleal, que podem originar-se de autodeclarações irresponsáveis e enganosas sobre sustentabilidade. Essa confusão conceitual  origina-se na ideia de que um mundo melhor para todas as gerações sem prejudicar o meio ambiente é um objetivo social desejado, o que faz com que ela seja popular no mundo todo. Por isso, todos querem parecer sustentáveis. Ocorre que o uso indevido do conceito tem favorecido as críticas ao desenvolvimento sustentável; colocam-se dúvidas quanto a sua efetividade, como as que entendem ser esta mais uma trapaça do capitalismo. Há um calcanhar de Aquiles nesse movimento. Ele só faz sentido se for globalizado, e aí começam a aparecer as pedras no caminho. Se já é problemático encontrar denominadores comuns para ações localizadas no departamento de uma empresa sobre assuntos do seu cotidiano, o que se esperar quando o que está em jogo são os interesses de nações soberanas?

O movimento do desenvolvimento sustentável baseia-se na percepção de que a capacidade de carga da Terra não poderá ser ultrapassada sem que ocorram grandes catástrofes sociais e ambientais. Mais ainda, já há sinais evidentes de que em muitos casos os limites aceitáveis foram ultrapassados, como atestam diversos problemas ambientais gravíssimos, como o aquecimento global, a poluição dos rios e oceanos, a extinção acelerada de espécies vivas, bem como os sérios problemas sociais, como a pobreza que afeta bilhões de humanos, os assentamentos urbanos desprovidos de infraestruturas mínimas para uma vida digna, o tráfico de drogas e as epidemias globalizadas, como a AIDS. Estes problemas globais só podem ser resolvidos com a participação de todas as nações, governos em todas as instâncias e sociedade civil, cada um em sua área de abrangência. As empresas cumprem papel central nesse processo, pois muitos problemas socioambientais são produzidos ou estimulados pelas suas atividades. Da confluência de dois conceitos, o da responsabilidade social e o do desenvolvimento sustentável, surge o conceito de empresa sustentável, que representa a culminância de uma longa trajetória na qual a gestão empresarial foi paulatinamente incorporando comprometimentos com as demandas da sociedade.

Seguir a legislação e honrar contratos é o patamar mínimo que se espera de qualquer empresa e pode ser feito conforme os esquemas apresentados, isto é, estando conforme as leis em vigor, evitando litígios e antecipando as mudanças na legislação. Ou seja, a empresa sustentável é a que procura incorporar os conceitos e objetivos relacionados com o desenvolvimento sustentável nas suas políticas e práticas de modo consistente. Contribuir para o desenvolvimento sustentável é o objetivo dessa empresa e a responsabilidade social, o meio para tornar a sua contribuição efetiva.

 

Jorge Cajazeira, Ph.D. é Presidente Mundial da ISO 26000 e Diretor de Relações Institucionais da Suzano Papel e Celulose


Bahia tem rede para monitorar a qualidade do ar

postado por aleile @ 6:26 PM
10 de outubro de 2012

Em dezembro de 2010, a cidade de Salvador foi presenteada com a implantação da rede de monitoramento da qualidade do ar, iniciativa da Cetrel com patrocínio da Braskem e apoio da Prefeitura de Salvador e do Governo do Estado, fruto de um investimento de R$ 15 milhões. Atualmente, a capital baiana conta com cinco estações fixas instaladas na Av. Paralela, no Rio Vermelho, em Pirajá, no Campo Grande e no Dique do Tororó, além de uma unidade móvel.

Com a inauguração de outras quatro estações somadas às 14 já existentes na Região Metropolitana, a Bahia terá a segunda maior rede automática do Brasil, perdendo apenas para São Paulo, que possui um sistema semelhante com 40 estações.

A necessidade de realizar este monitoramento está ligada à expansão imobiliária e ao crescente número de carros e motos nas ruas, que geram maior emissão de gases efeito estufa e também podem afetar a saúde das pessoas.

“O monitoramento é uma peça fundamental para promover eventos que causem menos impactos ao meio ambiente. Esses dados devem subsidiar políticas públicas dos gestores municipais e estaduais”, afirma o gerente de Monitoramento da Cetrel, Eduardo Fontoura, responsável pela operação da rede.

As estações coletam índices de temperatura, umidade, radiação solar, poluentes atmosféricos e concentração de elementos químicos como Monóxido de Carbono (CO), Ozônio (O3), Óxidos Nitrogenados (NOx), Partículas Inaláveis (PI) e Dióxido de Enxofre (SO2), entre outros.

Além de monitorar o dia a dia, a Cetrel também dispõe de unidades móveis para acompanhar eventos de grande porte, a exemplo do Carnaval de 2012. Durante os seis dias de folia, duas estações monitoravam a qualidade do ar, uma fixa no Campo Grande e uma móvel em Ondina. O índice foi classificado como bom e não registrou alterações ao padrão estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

População também tem acesso a informações sobre a qualidade do ar – A cada hora um novo boletim é disponibilizado nos sites da Cetrel (www.cetrel.com.br) e do INEMA (www.inema.ba.gov.br) sobre o ar que se respira na cidade, dados encaminhados para conhecimento do município e do Estado. O índice também é informado à população através de totens com monitores instalados em três pontos da cidade (Dique do Tororó, Rio Vermelho e Av. Paralela) com atualizações sobre temperatura, umidade, radiação solar e poluentes atmosféricos, entre outros. De acordo com os padrões nacionais estabelecidos pelo IBAMA e aprovados pelo CONAMA existem seis classificações do ar: boa, regular, inadequada, má, péssima e crítica.

Balanço de 2011 - De forma geral, a qualidade do ar foi classificada como Boa na maior parte do tempo para os parâmetros monitorados nas estações de Salvador. Ocorreram apenas 19 eventos em que a qualidade do ar foi classificada como Regular.

Observa-se que oito desses eventos ocorreram na estação da Paralela e foram causados por Partículas Inaláveis (PI), geralmente associadas ao fluxo de veículos da região, contribuindo para emissões de material particulado e óxido de nitrogênio das fontes móveis locais (veículos).

Em relação aos eventos de qualidade do ar Regular associado ao ozônio, a formação desse poluente secundário ocorre na atmosfera através de vários mecanismos, catalisados pela presença de luz, a partir de reações de outros poluentes presentes na atmosfera (incluindo NOx, radicais hidroxila e hidrocarbonetos).

Panorama Brasileiro – O monitoramento da qualidade do ar no Brasil é feito de forma restrita, apenas sete capitais contam com redes próprias: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Vitória, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

O Rio de Janeiro tem atualmente oito estações automáticas em operação e 62 semi-automáticas, porém está prestes a ter um uma expansão expressiva em sua rede. Já o Estado de São Paulo conta com 41 estações automáticas e a Região Metropolitana de Salvador tem 24 estações automáticas. Em cidades da Europa e da América do Norte, o monitoramento da qualidade do ar é feito intensivamente. Paris tem um sistema formado por 200 estações de monitoramento espalhadas pela cidade.

Ainda segundo Fontoura, essa prática, até então existente em poucas capitais do país, será um dos pré-requisitos para as cidades-sede da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, um exemplo da necessidade de informar a população sobre a qualidade do ar.

“As Redes de Monitoramento do Ar (RMAR) devem ser ferramentas de gestão para o poder público e que sejam capazes de subsidiar a adoção de políticas públicas que possam melhorar a qualidade de vida da população. A poluição atmosférica agora é vista como uma questão de saúde pública”, afirma Fontoura.

A Resolução 418 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabeleceu exigências para que os Estados façam seus inventários de emissões veiculares e adotem as medidas necessárias para controlar e prevenir essa poluição. Em geral, nos centros urbanos as grandes fontes de poluição atmosférica são as emissões veiculares.